Desenvolvido em 1978 por J. Welles Wilder e publicado no livro New Concepts in Technical Trading Systems, o IFR, Índice de Força Relativa, ou do inglês RSI, Relative Strength Index, é um indicador muito usado em análise gráfica.

Introdução

Desenvolvido em 1978 por J. Welles Wilder e publicado no livro New Concepts in Technical Trading Systems, o IFR, Índice de Força Relativa, ou do inglês RSI, Relative Strength Index, é um indicador muito usado em análise gráfica.

Da família dos osciladores, o IFR mede a velocidade direcional dos movimentos. Em outras palavras, o “fôlego” do mercado. Plotados em um gráfico de linha, tem seu valor mínimo em zero e máximo em 100.

O cálculo do IFR é simples e segue abaixo:

            Podemos usar o n, da fórmula FR, com quantos períodos desejarmos, sendo o mais comum 14. Wilder, considera que um IFR abaixo 30, os preços estão sobrevendidos e, acima de 70, sobrecomprados.

 

Metodologia

            O setup IFR2 foi desenvolvido por Larry Connors. Atua-se na compra, depois de um recuo nos preços. Existem várias abordagens com esse setup, porém os critérios estudados aqui nesse artigo são:

- Entrada: comprar no fechamento do candle diário, quando o IFR2 estiver abaixo de 30 ou 10.

- Alvo: máxima dos últimos 2 candles diários ou quando o preço fechar acima da MM5.

- Não usaremos Stop.

- Filtro: realizaremos a compra com os preços acima da MM200.

- Manejo do capital: bet it all, entrar com 100% do capital reinvestindo o lucro.

- Os dados do estudo contemplam uma janela temporal de 2013 a 2018 com capital inicial de R$50.000. Esses mesmos dados foram retirados do ProfitPlus e registrados em uma planilha do Excel onde o trabalho estatístico foi formulado.

 

Resultados e Discussões

            O Setup IFR2, por se tratar de um setup de volatilidade, pode ser usado em qualquer momento no mercado, seja em tendência ou consolidação.

            Como a metodologia apresentada acima, é 100% objetiva, podendo até ser robotizada. Escolhi alguns ativos para avaliar sua performance e lucratividade. São eles: BOVA11, ITUB4, LCAM3, PSSA3, VALE3, MGLU3.

Observa-se um número maior de entradas com o IFR2 abaixo de 30, praticamente o dobro ou mais do que as entradas feitas com IFR2 <10. ITUB4 foi o que mais produziu trades.

 

           

Tendo como ponto de entrada o IFR2 <30 e <10, estudamos duas formas de alvo no trade. O primeiro estudo considera o alvo da operação quando o preço tem seu fechamento acima da MM5 – encerra a operação no leilão ou minutos antes do seu início. Naturalmente, quanto maior o nível de sobrevenda, IFR2 <10, maior a taxa de acerto, com exceção de ITUB4, que teve uma ligeira taxa de acerto maior quando o IFR2 estava abaixo de 30.

 

 

O segundo estudo mostra o alvo da operação, sendo a máxima dos últimos dois candles. Os resultados mostram o mesmo perfil que a saída acima da MM5, ou seja, quanto maior o nível de sobrevenda, IFR<10, maior a taxa de acerto. Chamo a atenção para PSSA3, que teve sua taxa de acerto reduzida em níveis de sobrevenda <10, mostrando uma particularidade deste ativo.

Considerando a lucratividade do método, elaboramos uma curva de capital para cada uma das situações estudadas. Vejamos seu comportamento.

 

IFR<30

 

 

 

IFR<10

 

O Ibovespa subiu, aproximadamente, 70% de 2013 a 2018. Usando esse parâmetro como benchmark, podemos verificar que temos cenários em que os papeis escolhidos e/ou a escolha do alvo não batem o Ibov. A tabela abaixo mostra a rentabilidade do método em cada cenário estudado.

Saída pela MM5 (%)

 BOVA11

 ITUB4

 LCAM3

 PSSA3

 MGLU3

 VALE3

 IFR<10

61

78

165

32

395

29

 IFR<30

42

131

384

150

414

60

 

Saída max ultimo 2 candles (%)

 BOVA11

 ITUB4

 LCAM3

 PSSA3

 MGLU3

 VALE3

 IFR<10

45

44

125

20

243

23

 IFR<30

26

69

214

164

288

44

 

 

Conclusão

O setup IFR2, aqui apresentado, tende a pegar uma “fadiga” das forças vendedoras acreditando que o preço volte a subir no curto prazo. Os dados estatísticos mostram que, quanto maior o nível de sobrevenda, IFR<10, maior a taxa de acerto, quando comparado com o IFR<30.

Em contrapartida, dada a curva de capital, os resultados financeiros são maiores quando fizemos entradas pelo IFR<30. Nesse caso, abriríamos mão de uma taxa de acerto maior em detrimento a uma rentabilidade maior no longo prazo.

Das duas abordagens de alvo, nos dados apresentados, podemos assumir que a saída da operação mais lucrativa é quando os preços fecham acima da MM5.

Ainda sobre a lucratividade, vemos que os papeis tem comportamentos particulares, sendo assim, necessário a realização de um backteste, para definir se o papel é operável por esse método. MGLU3, por exemplo, foi o ativo mais lucrativo em todos os estudos aqui realizados. Já PSSA3 tem boas rentabilidade quando o IFR2 está abaixo de 30. Porém essa rentabilidade cai muito quanto o IFR2 está abaixo de 10.

Nenhum dos papeis aqui estudados geraram prejuízo para o trader. Se considerarmos que o índice Ibovespa, no período do estudo - 2013-2018 - subiu, aproximadamente, 70%, podemos ver que nem todos os papéis e abordagens superariam o índice. Assim, cabe o trader estudar cada ativo que deseja operar.

Escrito por: Colaborador
Membro da comunidade No Alvo que, através de artigos, busca colaborar com a consolidação de conhecimento sobre  o Mercado Financeiro.

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